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Brasileiros na Polônia criam grupo para buscar pessoas que querem sair da Ucrânia

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Voluntários vão fazer viagens para o país que está sob ataque para buscar estrangeiros e ucranianos que precisam de ajuda. Tenda também será montada para suporte após travessia. Refugiados ucranianos cruzam fronteira com a Polônia
AP Photo/Czarek Sokolowski
Um grupo de brasileiros que está na Polônia resolveu se unir para buscar outros brasileiros, estrangeiros e até mesmo ucranianos que continuam na Ucrânia e desejam deixar o país, por causa da guerra provocada pela invasão russa.
Ao todo, o grupo conta com seis carros que devem começar as viagens para a Ucrânia na quinta-feira (3). Já na Polônia, na cidade de Medyka, outros voluntários estarão recebendo os resgatados em uma tenda.
Milhares de pessoas estão tentando sair da Ucrânia pela fronteira com a Polônia após tropas da Rússia invadirem o país no dia 24 de fevereiro. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 500 mil pessoas deixaram a Ucrânia após o início da guerra.
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O coach Roberto Szymanski, que estava na Ucrânia no momento da invasão e conseguiu deixar o país, integra o grupo de brasileiros voluntários. Ele tem uma academia de futebol e estava treinando atletas na Ucrânia em uma pré-temporada.
Szymanski conta que os voluntários resolveram se reunir depois de presenciarem o sofrimento do ataque e invasão.
“Se houver uma união um pouquinho maior entre as pessoas, conseguimos ajudar muita gente que está com problema. O problema maior são as pessoas que chegam na fronteira, porque os estrangeiros não estão na prioridade. Tem gente que está ficando quatro ou cinco dias na fronteira e não consegue entrar”, disse.
Pessoas se aglomeram para cruzar a fronteira entre Polônia e Ucrânia
Arquivo pessoal
Trabalho
O treinador conta que o grupo está arrecadando doações pela internet e recrutando mais pessoas com carro que possam ir até a fronteira entre Polônia e Ucrânia para buscar quem precisa.
A ideia é fazer um revezamento entre os turnos para fazer o resgate. O grupo quer buscar brasileiros e outros estrangeiros ou mulheres e crianças ucranianas que precisam de ajuda.
“O maior problema das pessoas que estão tentando atravessar é a própria fronteira. O número de pessoas é um absurdo, então elas sofrem, tem empurra-empurra, é muito difícil”, contou.
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Com o grande número de pessoas tentando ingressar na Polônia, o acesso de carro se torna mais seguro e rápido. O grupo também deve oferecer suporte após o ingresso no país europeu.
“A nossa ideia, também, é montar uma barraca do lado polonês. Assim, a medida que essas pessoas vão chegando, vão ter uma boa alimentação, uma hidratação e lugar para descansar. Depois, vamos tentar dar um suporte de transporte para ver onde essa pessoa vai ficar, até que as coisas se encaminhem”, disse.
Roberto Szymanski faz parte de grupo de voluntários brasileiros
Arquivo pessoal
Por que a Rússia invadiu a Ucrânia?
Andrew Traumann, professor de Relações Internacionais, doutor em História e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas do Oriente Médio (Gepom), explica que as tensões no leste europeu começaram ainda na década de 1990.
Para o professor, o estopim para a invasão foi a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que é uma aliança militar entre Estados Unidos e vários países da Europa, e a possibilidade da entrada da Ucrânia no grupo.
“Esse processo se acelerou muito a partir do 11 de setembro, durante o governo do presidente norte-americano George W. Bush, que estimulou essa expansão. A gente percebe como que a Rússia ficou geopoliticamente cercada. A questão da Ucrânia foi como se fosse uma linha vermelha”, explicou.
Traumann disse ainda que, na visão russa, Putin resolveu agir preventivamente, pois entende como inadmissível a entrada da Ucrânia na Otan, já que a Rússia passaria a estar cercada militarmente.
O professor também descarta a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, por causa do conflito. Para ele, os países da Otan não devem entrar em combate armado contra a Rússia.
“A Otan e os Estados Unidos não vão se arriscar em uma guerra por causa da Ucrânia. O uso de armas nucleares é um grande fator de dissuasão, porque ninguém quer pagar para ver”, disse.
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