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Após sete anos, obras de duas escolas estaduais investigadas na Quadro Negro são concluídas

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Operação, que começou em 2015, descobriu esquema de desvio de dinheiro na reforma e construção de escolas no Paraná. 14 unidades tiveram obras paralisadas; retomada ocorreu em 2019 e custou aos cofres R$ 40,6 milhões. Colégio alvo da Quadro Negro é entregue aos moradores de Campina Grande do Sul
Após sete anos, as obras de duas escolas estaduais investigadas na Operação Quadro Negro foram concluídas. Nesta quarta-feira (16), foi entregue o Colégio Estadual do Campo Professor Danilo Zanona Ribeiro, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Na quinta-feira (17), será inaugurado o Colégio Estadual William Madi, em Cornélio Procópio, no Norte Pioneiro do Paraná.
Quatorze unidades tiveram as obras paralisadas em 2015 pela investigação que apontou desvios de recursos na construção de colégios estaduais. A retomada das obras começou em 2019 e custou aos cofres do estado R$ 40,6 milhões.
“Nós pegamos escolas que estavam no esqueleto e hoje estamos entregando para a sociedade. Uma demonstração de respeito ao dinheiro público, que é a nossa obrigação”, disse o governador Ratinho Junior.
Somente no colégio de Campina Grande do Sul o investimento foi de R$ 5 milhões. A unidade escolar tem capacidade para atender mais de 400 matrículas, entre ensino fundamental e ensino médio.
Nesta quarta (16), foi inaugurado o Colégio Estadual do Campo Professor Danilo Zanona Ribeiro, em Campina Grande do Sul
Geraldo Bubniak/AEN
Esquema de corrupção
O Colégio Estadual do Campo Professor Danilo Zanona Ribeiro, inaugurado nesta quarta-feira, havia se tornado um dos símbolos de um esquema milionário de corrupção no Paraná.
Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), entre 2011 e 2014, pelo menos R$ 20 milhões foram desviados da educação.
De acordo com as investigações, esse dinheiro que deveria ter sido usado na construção e reforma de escolas foi parar no bolso de políticos e agentes públicos.
Na escola de Campina Grande do Sul, por exemplo, apenas 6% saiu do papel, e pelo “esqueleto” da obra, foram pagos quase R$ 3,4 milhões.
Dinheiro que deveria ter sido usado na construção e reforma de escolas foi parar no bolso de políticos e agentes públicos
Reprodução/RPC
Essa é a única escola do bairro, e o atraso na entrega atingiu centenas de alunos. Entre eles, Marcos Vinícius, que durante toda a infância teve que estudar em um colégio a mais de 20 quilômetros de casa.
A escola inaugurada nesta quarta-feira fica a cinco minutos de distância da casa dele, a pé.
“[A escola] podia ajudar milhares de pessoas ali a estudar perto de casa, a não correr o risco na BR indo e voltando. E saber que estava parado por causa de corrupção foi difícil, mas ainda bem que ocorreu tudo certo e o colégio está pronto agora”, disse Marcos.
Processos da operação
Apesar das obras terem sido entregues, na Justiça a Operação Quadro Negro ainda está longe de terminar. São dezenas de processos, nas áreas cível e criminal. Entre os réus estão políticos, agentes públicos e empresários.
O ex-governador Beto Richa (PSDB) é réu em quatro ações criminais. Todas estão paradas desde o ano passado, aguardando a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF), em Brasília (DF), sobre qual instância deve julgar o caso.
O empresário Eduardo Lopes de Souza, dono de uma construtora, admitiu em delação premiada ter participado do desvio de dinheiro das escolas. Ele também disse que as licitações foram direcionadas e que o dinheiro da educação foi usado para a campanha da reeleição do então governador Beto Richa.
O ex-diretor da Secretaria de Educação, Maurício Fanini, apontado como mentor do esquema, também fez delação premiada. Ele afirmou que o ex-governador participava dos desvios na educação.
As investigações do Ministério Público apontaram que, em um único dia, o governador Beto Richa assinou oito aditivos – complementos aos contratos – que aumentaram em R$ 5 milhões o valor de obras que mal tinham saído do papel.
Para os promotores, as delações e a assinatura dos aditivos são provas da participação do ex-governador Beto Richa – que sempre negou saber do esquema.
O outro lado
Por meio de nota, a defesa de Beto Richa disse que foi o governo dele que determinou a abertura das investigações e identificou os crimes cometidos por Maurício Fanini.
Afirmou também que “nos três anos desde a delação de Fanini, não há uma prova sequer de qualquer envolvimento de Beto Richa nos crimes”.
A defesa de Maurício Fanini informou que ele continua colaborando com a Justiça e que apresentou, no acordo de delação premiada, diversas gravações, fotos e documentos que comprovam a veracidade do que ele disse.
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