Toledo decreta Situação de Emergência por conta da crise hídrica no Município

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O prefeito Beto Lunitti assinou, no final da tarde de hoje (04), decreto em que o Município de Toledo adere Decreto nº10.002/2021, publicado na última quinta-feira (30/12/21) pelo Governo do Estado, o qual declarou que todo o Paraná encontra-se em Situação de Emergência causada pela crise hídrica decorrente da falta de chuvas nos últimos dois anos.

A decisão foi tomada de forma unânime em reunião ampliada do Conselho Municipal do Desenvolvimento do Agronegócio (CMDAT), colegiado que representa as cadeias produtivas da agropecuária, na reunião realizada na tarde desta terça-feira (4) na Sala de Reuniões do Gabinete do Prefeito.

O assunto vinha sendo tratado pela Administração Municipal desde a última semana, quando o chefe do Executivo conversou com representantes da Defesa Civil, os quais orientaram sobre os trâmites que precedem a adesão ao decreto do Governo do Estado.

O prefeito também se reuniu com os gerentes de Carteira Agrícola (Charles Paulus) e de Relacionamento (Waltrude Keiser) do Banco do Brasil para verificar as condições para renegociação dos financiamentos de Crédito Rural. Em seguida, a conversa, sobre os impactos da seca no fornecimento de água para consumo humano, foi com o gerente regional da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Eduardo Arrosi.

Também foram levadas em consideração as informações prestadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Rural e de Serviços Públicos, que coordena as ações de atendimento aos produtores e comunidades mais afetados pela seca.

Estas conversas serviram para o Governo Municipal reunir subsídios para a decisão de forma a fundamentá-la do ponto de vista técnico e torná-la mais assertiva, para que, de fato, fizesse a diferença na vida das pessoas que mais sofrem com a estiagem.

O presidente do CMDAT, João Luis Nogueira, agradeceu a Administração Municipal por ouvir o órgão antes de tomar uma decisão tão importante como esta. “Esta é uma demonstração de respeito do prefeito pelo nosso Conselho.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), o Municípo já apresenta perdas de 55% na safra verão de soja e de 73% na de milho, o que, segundo o órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), pode fazer o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) “encolher” mais de R$ 730 milhões no período 2021-2022 – prejuízo que pode ser maior, pois este levantamento ficou restrito às culturas de grãos, sem considerar os problemas que outros setores, como a piscicultura e a bovinocultura leiteira, têm enfrentado.

Em Toledo esta situação começou a ser percebida em agosto de 2021, quando foram realizadas as primeiras ações de apoio a produtores. “De lá para cá, a precipitação ficou abaixo da média histórica e aquém da necessidade das propriedades, acentuando ainda mais o problema, o que gerou uma mobilização de todo o setor produtivo para que este decreto fosse editado. Por entendermos que não se trata de um documento que resolve os problemas como um ‘passe de mágica’, conversamos com todas as partes envolvidas para encontrar a melhor solução possível para o momento, dentro da legalidade e seguindo todos os critérios técnicos”, explica Beto.

Durante o encontro com o CMDAT, que contou com a presença de representantes da Defesa Civil de Toledo, do Corpo de Bombeiros, de técnicos da Seab e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, do Sindicato Rural de Toledo e de vários secretários e servidores municipais, o prefeito apresentou os fundamentos legais de sua decisão e ouviu sugestões das lideranças do agro toledano.

“Medidas neste sentido já estavam sendo solicitadas há algumas semanas por várias entidades, até pela Câmara de Vereadores. Agora, temos todos os elementos para aderir ao decreto estadual, mas, em função da seriedade da situação, não queríamos que o assunto fosse debatido de forma superficial e a decisão foi coletiva e técnica, e não simplesmente uma ‘canetada’ do prefeito”, salienta.

Pouca chuva, muito calor

Durante o encontro, o membro do CMDAT e engenheiro agrônomo José Augusto de Souza, apresentou um levantamento com dados do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) que ele tem colhido desde 1998. Ao longo destes 24 anos de pesquisa, em 15 houve chuva acima da média e em 9 esta caiu aquém do esperado (três entre 2018 e 2021).

Neste período, foi registrado um deficit de 2.000 milímetros. “Nestes quatro anos, é como se não tivesse chovido um ano inteiro”, observa. “Em 2020 as precipitações foram menores do que no ano passado, mas a situação agora está pior porque estas se concentraram em outubro e ficaram escassas nos meses seguintes, quando os grãos florescem e precisam ainda mais de água”, comenta.

Situação é grave

O secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, ordenou que os técnicos do Deral de todos os núcleos regionais da Seab interrompessem o recesso de fim de ano para fazer estudos com a estimativa de quebra na produção agrícola de todos os 399 municípios do Paraná – 193 já manifestaram interesse em aderir ao decreto estadual.

“O secretário tomou esta decisão porque sabe que esses laudos são fundamentais para as prefeituras tomarem providências. Só com as culturas de soja e milho, teremos perdas na ordem de R$ 17 bilhões, R$ 4 bilhões só em nossa regional. Em alguns municípios, sobretudo os que ficam à margem do Rio Piquiri, onde o solo é mais frágil, a queda será de 90% a 95%”, comenta o chefe regional da Seab de Toledo, Paulo Salese.

Consciência

“Esta é a maior crise hídrica dos últimos 100 anos e a expectativa é que os índices de precipitação pluviométrica só voltem a um nível próximo do normal a partir de maio. Este é o momento de avançar na discussão e na conscientização para o uso consciente da água, tanto na cidade quanto no interior. Vale também debater e estabelecer políticas para captação, reservação e uso da água das chuvas nas propriedades rurais – estimulando a construção de estruturas para esta finalidade”, pontua o prefeito. “Além disso, devemos pensar em criar mecanismos de crédito para que as propriedades rurais possam contar com sistemas autônomos de fornecimento de energia [geradores], especialmente para sistemas de dessedentação e alimentação dos animais nos aviários e chiqueirões”, acrescenta.

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