MULHERES EM DESTAQUE: MUSEU HISTÓRICO WILLY BARTH HOMENAGEIA A JORNALISTA TOLEDANA QUE FUNDOU A EMBAIXADA SOLIDÁRIA
Uma verdadeira rede de solidariedade se formou através da iniciativa da jornalista que lidera a realização do trabalho humanitário que atende muito além das fronteiras da cidade de Toledo.
Neste mês de março, o Museu Histórico Willy Barth celebra as trajetórias de mulheres inspiradoras na segunda edição da exposição “Mulheres que Marcaram: Histórias de Toledo”, que acontece de forma digital e pode ser conferida nas redes sociais do Museu. Entre as personalidades homenageadas, destaca-se Edna Nunes — jornalista, escritora e ativista social nascida em Toledo, filha de operários e ex-aluna de escola pública, que atuou na imprensa regional por quase vinte anos.
A história de Edna se entrelaça à de muitas mulheres que vencem obstáculos diariamente para construir um futuro melhor. Em 2014, percebendo a necessidade de acolher migrantes e refugiados que chegavam ao Oeste do Paraná, ela deu início à Embaixada Solidária — organização reconhecida pela ONU que promove acolhimento, desenvolvimento e inclusão de comunidades em situação de vulnerabilidade. Dessa forma, Edna tornou-se referência nacional e internacional na defesa das pessoas que mais necessitam de apoio e oportunidade.
Hoje, Edna é vice-presidente da Academia de Letras de Toledo (ALT), fortalecendo a cultura e a literatura locais. Em sua trajetória no jornalismo, foi agraciada com 14 prêmios, reconhecimento de seu compromisso e do impacto social de seu trabalho. Ela também foi premiada em quatro importantes concursos literários e reconhecida pela Câmara de Vereadores da sua cidade natal e Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) pela sua atuação tanto como comunicadora e também pelo impacto social alcançado pela Embaixada Solidária. A jornalista ressalta:
“A história de uma mulher nunca é apenas sobre ela, mas sobre todas as que vieram antes e também aquelas que virão depois.
Nossas construções são em camadas. Quando olham a minha história e imagem hoje, entendem que eu trago cicatrizes e conquistas de mulheres do mundo inteiro. Todas precisam ser vistas e é uma honra emprestar meu rosto e trajetória como forma de representar e honrar todas elas.”
Embaixada Solidária
Em um mundo marcado por crises humanitárias, migrações forçadas e desigualdades, a Embaixada Solidária surge como um farol de esperança e determinação. É um trabalho manual, diário e sem manual. Cada nova nacionalidade assistida traz descobertas, desafios e aprendizagens, sempre guiados por princípios de empatia e acolhimento. Localizada em Toledo, a organização é um exemplo de como a força feminina pode transformar realidades e construir pontes de solidariedade. Fundada e mantida majoritariamente por mulheres, a Embaixada Solidária é, acima de tudo, um legado de coragem, empatia e persistência, funcionando apenas com doações, sem receber proventos governamentais.
Como tudo começou
Em 2014, a jornalista Edna Nunes identificou a urgência de acolher e apoiar migrantes e refugiados que chegavam à região. Reuniu, então, um grupo de pessoas dispostas a fazer a diferença. Nascia a Embaixada Solidária, uma entidade que, atualmente, se tornou referência nacional e internacional no trabalho humanitário, desenvolvendo diversas iniciativas para garantir direitos, oportunidades e acolhimento digno.
A força feminina
Desde o início, a presença feminina foi determinante. Hoje, 90% das voluntárias diretas são mulheres — mães, filhas, profissionais e sonhadoras que acreditam no poder da solidariedade. Elas coordenam projetos, oferecem atendimento psicológico, organizam bazares, ensinam costura, traduzem documentos e, principalmente, acolhem histórias de dor e superação. Ainda assim, homens também apoiam ativamente a causa, trazendo suas habilidades para ampliar o alcance de cada ação.
Mulheres na Migração
Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 48% dos migrantes internacionais são mulheres. No Brasil, esse índice fica em torno de 45%, de acordo com o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), com destaque para haitianas, venezuelanas e mulheres vindas de países africanos. Muitas delas enfrentam violência de gênero, exploração laboral, barreiras linguísticas e discriminação, migrando sozinhas em busca de um recomeço para si e suas famílias.
Principais projetos
- Mundo em Retalhos: Capacita mulheres migrantes em costura industrial e criativa, promovendo autonomia econômica e inclusão social.
- Talan Ancestrale: Preserva a cultura haitiana por meio da dança, empoderando meninas e jovens mulheres.
- Evena – Mães pelo Mundo: Oferece suporte integral a gestantes migrantes, garantindo cuidados essenciais e reduzindo a mortalidade materno-infantil.
- Geraldine: Iniciativa contra o tráfico de pessoas e o trabalho análogo à escravidão.
- Recomeçar: Forma uma rede de apoio para auxiliar migrantes, refugiados e apátridas a recomeçarem suas vidas, desde doações iniciais até a retomada da profissão.
Em todos esses projetos, o compromisso de garantir que nenhuma mulher esteja sozinha prevalece. Seja por meio do acolhimento diário, de oficinas de capacitação ou de eventos culturais, a Embaixada Solidária atua como um porto seguro para quem precisa reconstruir sua história longe de casa.
Convite à Comunidade
A equipe do Museu Histórico Willy Barth convida a população de Toledo e região a prestigiar a exposição digital “Mulheres que
Marcaram: Histórias de Toledo”, disponível nas redes sociais do Museu. Conheça os relatos, curiosidades e depoimentos que ressaltam a força e a diversidade feminina em nossa cultura.
Já quem desejar apoiar a Embaixada Solidária pode acessar as páginas oficiais da instituição para saber mais sobre seus projetos e como contribuir. Por meio de doações ou voluntariado, cada pessoa pode ajudar a manter viva essa chama de solidariedade, possibilitando que mais migrantes, refugiados e apátridas encontrem acolhimento e oportunidades para prosperar.
Legenda:
"Edna Nunes em registro histórico, ilustrando sua dedicação à comunicação, à cultura e à causa social em Toledo e além."