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Eleição na França reedita 2º turno de 2017; veja as propostas de Macron e Le Pen

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Projeções estimam que margem de disputa será mais apertada desta vez. Conheça os programas dos candidatos. Uma tela mostra o presidente francês Emmanuel Macron e a candidata de extrema direita Marine Le Pen.
Francois Mori/AP
Com todas as projeções de institutos de pesquisas e dados parciais da apuração apontando Emmanuel Macron e Marine Le Pen no segundo turno, tudo caminha para uma reedição do segundo turno de 2017.
Com 88% dos votos apurados, o atual presidente tem 27,41% dos votos e sua oponente 24,9%. Espera-se que ainda esta noite quase a totalidade da apuração esteja concluída.
Le Pen, do partido Reagrumpamento Nacional, de extrema direita, está concorrendo pela terceira vez. Durante toda a campanha, ela ficou em segundo lugar, atrás de Macron. A diferença entre os dois, no entanto, diminuiu durante os últimos dias.
Em 2017, quando Macron e Le Pen se enfrentaram no segundo turno, ele teve 66% dos votos, e ela, 34%.
As projeções apontam que desta vez as votações dos dois devem ser mais parecidas. A campanha dela deste ano foi em grande parte uma tentativa de parecer menos radical para agradar uma base maior de eleitores.
Veja as declarações de Le Pen e Macron
Apesar disso, ela ainda insiste em temas como uma campanha política contra as manifestações do islamismo e uma diminuição da imigração para o país.
Macron afirma que sua adversária faz campanha com aquilo que as pessoas temem. “Quando vejo as opiniões da extrema direita, quem quer que seja o candidato, há muitas ligações com teorias da conspiração, e os dois anos da pandemia de Covid-19 tudo e o oposto disso foi dito”, afirmou ele.
Ele diz que as propostas da extrema direita não fazem sentido financeiro e são demagógicas.
Nos últimos dias de campanha, Macron deu entrevistas para tentar promover suas políticas e citou o que fez no primeiro mandato (especialmente seus esforços durante a guerra da Ucrânia, que o teria afastado da campanha).
Emmanuel Macron
Emmanuel Macron em campanha, em 5 de abril de 2022
Stephane Mahe/Reuters
Mais liberal do que em 2017, Macron quer uma França onde “cada um trabalhe mais”, com uma aposentadoria a partir dos 65 anos, mas promete em troca alcançar o pleno emprego.
O atual presidente de centro promete reduzir os impostos das empresas em 10 bilhões de euros (quase US$ 11 bilhões) se for reeleito, prevê que elas intervenham em sessões de orientação nas escolas de ensino médio e quer, ainda, recompensar os professores por méritos.
Além disso, ele defende uma série de medidas sociais, como permitir aos casais não casados realizar uma declaração conjunta de impostos e aumentar para 1.100 euros o valor mínimo da aposentadoria.
Boca de urna: Macron e Le Pen vão disputar o segundo turno presidencial na França
Embora uma de suas principais medidas seja impulsionar a energia nuclear para produzir eletricidade, também quer desenvolver as renováveis.
Confira a seguir as principais medidas de seu programa, cujo custo estimou em 50 bilhões de euros ao ano (cerca de 55 bilhões de dólares), sem contar as reduções de impostos:
EDUCAÇÃO

Meia hora de esporte diária e duas horas mais por semana no ensino médio.
Apresentar aos alunos de ensino médio ofícios técnicos e manuais; ensinar programação.
Reformar a formação profissional, aumentando atividades práticas em empresas.
Adaptar os locais de ensino superior às necessidades profissionais.
Garantir a substituição de professores ausentes.
Matemática como matéria comum nas escolas.
SAÚDE
Fazer com que a França volte a produzir medicamentos.
Lutar para resolver o problema das regiões sem número suficiente de médicos.
Contratar enfermeiros e auxiliares para os hospitais.
APOSENTADORIA
Aumentar gradativamente a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos.
Elevar a pensão mínima completa para 1.100 euros mensais.
Contratar 50 mil enfermeiros e auxiliares de residências de idosos até 2027.
Facilitar que os aposentados possam exercer uma atividade profissional.
Subvencionar em até 70% o custo de adaptar as residências.
Lançar uma convenção cidadã para refletir sobre o fim da vida.
EMPREGO E TRIBUTAÇÃO

Condicionar a renda mínima a 15 ou 20 horas de atividades de inserção ou formação.
Eliminar a cotação do valor agregado das empresas, ou seja, 10 bilhões de euros anuais no total.
Triplicar o limite do “bônus Macron”, que as empresas podem pagar a seus trabalhadores sem pagar impostos.
Empresa que pagam dividendos terão que recompensar seus funcionários.
Suprimir o imposto audiovisual.
Isenção de imposto de herança até 150 mil euros por filho e 100 mil euros para os demais membros da família.
Universalizar uma conta que permita guardar dias de férias ou receber pagamento em vez de desfrutá-los.
ECOLOGIA

Construir seis reatores nucleares de nova geração, estudar a possibilidade de outros oito.
Multiplicar por dez a potência solar, implantar 50 parques eólicos marinhos até 2050, fabricar milhões de veículos elétricos e híbridos.
Condicionar a remuneração dos dirigentes de grandes empresas a respeito de metas ambientais e sociais.
Renovar 700 mil residências ao ano.
IMIGRAÇÃO

Reforçar os controles fronteiriços na União Europeia (UE) e na França.
Acelerar os procedimentos de asilo e expulsar de forma mais eficaz em caso de recusa.
Condicionar a permissão de residência de longa duração a passar em um exame de francês e a uma inserção profissional.
Expulsar os estrangeiros que perturbarem a ordem pública.
SEGURANÇA
Concluir a duplicação da presença das forças de segurança nas ruas e mobilizar 200 novas brigadas de polícia.
Aplicar multas fixas para as infrações cotidianas.
Contratar 8.500 magistrados e pessoal judiciário adicionais.
Dobrar o número de reservistas operacionais nas forças armadas.
Marine Le Pen
A candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, discursa na sede do seu partido em Paris, neste domingo (10).
Francois Mori/AP
A candidata do Reagrupamento Nacional (RN, extrema direita), Marine Le Pen, quer frear a imigração, combater o islamismo e aumentar o poder aquisitivo com o objetivo de devolver aos franceses “seu dinheiro” e “seu país”.
Confira a seguir os principais pontos de seu programa para a eleição presidencial, que ela pretende adotar graças à emissão de um empréstimo nacional e 68,3 bilhões de euros (cerca de 74,3 bilhões de dólares) de receita.
IMIGRAÇÃO

Organizar um referendo sobre um projeto de lei para incluir na Constituição o “controle” da imigração, a “propriedade nacional” e a primazia do direito francês sobre o internacional e o europeu.
Restabelecer o delito de permanência ilegal de estrangeiros e obrigar os funcionários a denunciarem a presença de clandestinos.
Reservar as ajudas sociais aos franceses e condicionar as prestações de solidariedade a cinco anos de trabalho.
Prioridade a franceses para o acesso às moradias sociais e ao emprego.
Suprimir a permissão de residência aos estrangeiros que não tenham trabalhado durante um ano.
Expulsar clandestinos, delinquentes e criminosos estrangeiros fichados como perigosos.
Eliminar o “direito de solo”; concessão da cidadania com base em critérios de mérito e assimilação.
Solicitações de direito de asilo em consulados e embaixadas no exterior.
ISLAMISMO

Proibir a “prática, a manifestação e a difusão pública”, tanto no cinema quanto na imprensa e nas escolas de “ideologias islâmicas”.
Proibir que as mulheres usem o véu em público.
SEGURANÇA
Restabelecer penas mínimas.
Presunção de legítima defesa para as forças de segurança.
Dobrar o número de magistrados.
Inscrever os assediadores de rua no registro de criminosos sexuais.
Criar 25 mil novas vagas prisionais em 2027.
Eliminar a possibilidade de reduzir ou atenuar penas de prisão.
PODER AQUISITIVO
Reduzir o IVA de combustíveis, gás e eletricidade de 20% a 5,5%.
Eximir das cotações empresariais as empresas que aumentarem os salários (até três salários mínimos) em 10%.
Renacionalizar as empresas de rodovias.
Privatizar rádio e televisão públicas.
Eximir do imposto de renda os menores de 30 anos.
Exonerar do imposto a sociedades empresários menores de 30 anos nos cinco primeiros anos.
Dobrar as ajudas às mães solteiras.
Doações isentas de impostos de até 100 mil euros por filhos a cada dez anos.
INSTITUIÇÕES

Referendo de iniciativa cidadã.
Sistema de votação proporcional para as eleições legislativas.
APOSENTADORIA

Adiantar a idade de aposentadoria aos 60 anos com 40 anos trabalhados para os franceses que entraram na vida ativa antes dos 20 anos.
Aposentadoria entre os 60 anos e nove meses e os 62 anos para os franceses que começaram a trabalhar entre os 20 e os 24 anos e meio.
Reajustes das pensões com a inflação.
Aumentar para 1.000 euros a renda mínima para os franceses maiores de 65 anos com poucos recursos.
ENERGIA
Eliminar as subvenções às “energias intermitentes” (como solar e eólica).
Paralisar os projetos eólicos e desmontar progressivamente os parques existentes.
Relançar os setores nuclear e hidrelétrico, e investir em hidrogênio.
AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO
Retirar a agricultura dos tratados de livre comércio.
Intervenção estatal na fixação de preços.
Proibir as importações que não respeitarem as normas francesas.
Obrigar as cantinas e refeitórios a usarem 80% de produtos franceses.
PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

Reduzir impostos de produção de pequenas e médias empresas.
Suprimir os impostos sobre a transferência de empresas.
Criar um imposto à fortuna financeira para taxar a especulação.
EMPRÉSTIMO NACIONAL
Lançar “um grande empréstimo nacional”, remunerado a 2%, para financiar os investimentos.
DEFESA
Aumentar o orçamento a 55 bilhões de euros até 2027.
Sair do comando integrado da Otan, órgão que define a estratégia militar da Aliança.
SAÚDE
Plano de 20 bilhões de euros em cinco anos, entre os quais 2 bilhões de euros para aumentar salário do pessoal.
Suprimir as Agências Regionais de Saúde.
EDUCAÇÃO
Punir faltas de alunos com suspensão de ajudas financeiras e bolsas.
Aumentar a escala salarial dos professores em 3% ao ano.

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