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Aliados de Putin obtêm triunfos eleitorais na Hungria e na Sérvia

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Vitórias de Viktor Orbán e Alexander Vucic, afinados com valores autoritários do presidente russo, fazem soar alertas na União Europeia Viktor Orbán vence as eleições parlamentares na Hungria
As cenas e os relatos de horror emergiam em Bucha, nos arredores de Kiev, com dezenas de corpos espalhados nas ruas e em valas coletivas, após a retirada das tropas russas ao mesmo tempo em que dois aliados de Vladimir Putin na Europa eram consagrados nas urnas: com plataformas populistas e nacionalistas, Viktor Orbán, premiê da Hungria, e Alexander Vucic, presidente da Sérvia foram reeleitos com maioria absoluta, afinados com os valores autoritários ditados pelo presidente da Rússia.
Parece contraditório, mas não é. Nestes dois países, o eleitorado conservador e de extrema direita não se deixou levar pela onda solidária dos vizinhos europeus com a Ucrânia e abraçou as promessas feitas por Putin, antes da invasão, para assegurar o gás russo a preços mais baixos a seus aliados.
Orbán obteve o quarto mandato consecutivo, derrotando uma aliança de seis partidos opositores, e se manteve firme em suas posições contra os desafetos, no discurso em que consolidou o triunfo eleitoral.
“Lembraremos essa vitória até o fim de nossas vidas porque tivemos que lutar contra um grande número de adversários: a esquerda local, a esquerda internacional, os burocratas de Bruxelas, todo o dinheiro e instituições do império Soros, a grande mídia internacional e o presidente ucraniano também.”
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Estava dado o recado. Orbán ganhou respaldo para seguir como um obstáculo para a União Europeia nos assuntos de Estado de Direito, imigração, liberdade de imprensa e direitos da comunidade LGBTQ+. Consolida a influência no movimento de extrema direita do continente. Por outro lado, precisa manter o equilíbrio para tentar desbloquear os fundos comunitários, congelados justamente por violar as normas democráticas do bloco europeu.
Premiê da Hungria, Viktor Orbán, em pronunciamento em 3 de abril de 2022 após confirmar sua reeleição
Bernadett Szabo/Reuters
Durante a campanha eleitoral, que coincidiu com a invasão da Ucrânia, o premiê húngaro procurou manter distância de Putin. Tentou fazer-se de mediador, pelos laços cultivados com o presidente russo. Apoiou as sanções europeias à Rússia, mas rejeitou o envio de armas à Ucrânia, assim como a passagem de equipamentos militares por seu território.
O presidente sérvio coincide nas posições ultraconservadoras e se mostra mais em sintonia com Putin do que Orbán. O país está há mais de 10 anos na lista de candidatos para ingressar na União Europeia, mas as negociações emperram na disputa de Kosovo, que pertenceu à Sérvia até 2008.
Alexander Vucic encontra na Rússia de Putin o seu mais forte aliado para rejeitar a independência de Kosovo. Na crise ucraniana, isso ficou claro. A mensagem do Kremlin favorável à chamada desnazificação do país ressoa fortemente em Belgrado. No início de março, uma multidão de sérvios lotou as ruas da capital para dar apoio à invasão, aos gritos de “Crimeia é Rússia e Kosovo é Sérvia”.
Os triunfos eleitorais de Orbán e Vucic dão a Putin o gosto de vitória e soam como alertas na União Europeia. Mas tanto o premiê húngaro quanto o presidente sérvio sabem que a aliança com o Kremlin tem um preço alto e consequências diretas para suas populações.

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