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Macron se arrisca para consolidar papel de mediador na crise da Ucrânia

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De olho nas eleições de abril, presidente francês tenta assegurar o papel de líder europeu, tirando proveito de lacuna deixada por Merkel e de acesso a Putin. Biden e Putin aceitam reunião proposta por Macron
O presidente Emmanuel Macron tem sido um eixo no rumo das negociações para atenuar a tensão latente na fronteira entre Rússia e Ucrânia. Seu movimento incessante nas direções dos presidentes Joe Biden, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky lhe dá um lugar de destaque, na base da diplomacia sobre o futuro da Europa.
No quinto ano de seu mandato, aos 44 anos, o presidente francês se equilibra com a destreza de um malabarista que no passado recente cometeu deslizes no papel de mediador.
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Ele agora tenta assegurar o papel de líder europeu, valendo-se da brecha deixada pela saída de Angela Merkel – e ainda não preenchida pelo chanceler Olaf Scholz – e do acesso direto ao presidente russo, sem perder de vista o cenário interno. Embora ainda não tenha formalizado a candidatura, Macron está na corrida para tentar a reeleição em abril.
Macron durante pronunciamento em encontro do triângulo de Weimar.
Hannibal Hanschke /Reuters
Após uma rodada de conversas com os presidentes americano e russo, o governo francês anunciou no domingo um encontro entre os dois líderes, sob a condição imposta pelos EUA de que as tropas de Moscou não invadam a Ucrânia. Nesta manhã, a Rússia se mostrou cautelosa, nas palavras do porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov: “Há um entendimento sobre o fato de ter que continuar o diálogo entre ministros (das Relações Exteriores). Falar sobre planos concretos para organizar reuniões de cúpulas é prematuro.”
Macron nunca escondeu a busca de protagonismo no cenário internacional. Nesta crise, procura se consolidar como arquiteto da segurança europeia, aproveitando-se também de que a França ocupa, por seis meses, a presidência rotativa da União Europeia.
No passado, aproximou-se de Donald Trump, o antecessor de Biden, mas a relação entre eles revelou-se desastrosa, com duros embates sobre o papel da OTAN e sobre a crise com o Irã. Macron hospedou Putin no Forte de Brégançon, no verão de 2019, frustrando seus parceiros da Europa Oriental, e ouviu dele que o vê como um interlocutor na Europa.
O presidente francês tenta reeditar o “Formato da Normandia”, uma solução diplomática informal envolvendo França, Alemanha, Ucrânia e Rússia, em 2014, durante as comemorações dos 70 anos do Dia D. As negociações resultaram nos acordos de Minsk, entre a Ucrânia e as regiões separatistas apoiadas pela Rússia. O protocolo caiu no limbo, mas é encarado como única saída na crise.
O presidente francês empenha vontade e capital político para evitar uma guerra na Europa, mediando conversas com Putin, que, por sua vez, não esconde ter nos EUA seu maior alvo de interesse. Macron se arrisca. O êxito não lhe garante a reeleição, mas o fracasso nessa empreitada servirá de isca para os opositores e poderá ser crucial na busca pelo segundo mandato.
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